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  • Carolina Fernandes

O problema dos grupos homogêneos

Aprendizados do livro “Ideias Rebeldes”, do Matthew Syed

Diversidade é um tema recorrente, usado normalmente para falar de gênero ou raça. Mas é interessante termos uma visão científica do assunto. O autor comprova, através de inúmeras pesquisas, a importância da diversidade nos ambientes de trabalho:

Homogeneidade e Diversidade


Quando estamos diante de um problema simples, uma única pessoa é capaz de ter os insights necessários para solucioná-lo. Mas a medida que o problema vai ganhando complexidade, a homofilia (como chamamos quem tem a mesma origem) passa a ser um problema, uma vez que as formas de pensar e as perspectivas das pessoas envolvidas são as mesmas.

É muito bom nos sentirmos envoltos de gente que pensa parecido, que confirma nossos pré-conceitos. Isso nos faz sentir mais espertos e valida nossa visão de mundo. Só que todo time que começa diverso tem a tendência de se tornar parecido, pois as crenças passam a ser compartilhadas por osmose. É do ser humano. Mas quanto mais homogêneo o grupo se torna, mais míope ele passa a ser.

O problema da homogeneidade não são as informações que o grupo não consegue entender ou as respostas erradas que eles dão. Mas as perguntas que eles sequer fazem, os dados que eles nem pensaram em levantar, as oportunidades que eles não se deram conta que estavam ali.
Para dar conta da complexidade, o grupo precisa desafiar, argumentar, divergir, trocar referências. Ter diferentes modelos mentais e experiências. Isso faz com que tenhamos soluções para os problemas, ou seja, não ficamos presos em certas questões, além de aumentarmos de forma exponencial o número de soluções.

Hierarquia promovendo diversidade


Hierarquia é algo importante para todos os seres. Estamos tão acostumados que nem percebemos quando estamos diante de algum comportamento “dominante’, ou seja, que promove uma subordinação dos demais. Sem líderes, corremos o risco de entrarmos em conflitos e ficarmos presos na indecisão.

Mas a hierarquia pela dominância constantemente ameaça a comunicação efetiva, uma vez que quem está subordinado geralmente se sente acuado em se colocar. A comprovação disso é um levantamento promovido pelo setor de aviação dos EUA, que mostra que mais de 30 quedas de aviões tiveram como causa a falta de comunicação de seus co-pilotos. Não sabendo que suas vozes são fundamentais para o pensamento diverso, os subordinados sentem que devem falar o que o “chefe” quer ouvir. Assim, acabamos tendo um grupo de pensamento homogêneo, que não consegue dar conta de soluções para problemas complexos.

Em casos como este, nos quais precisamos de um líder mas também precisamos da diversidade, o ideal é termos uma hierarquia baseada no prestígio. Isso quer dizer que o líder é generoso e se coloca a serviço do grupo, criando um ambiente de cooperação rumo a uma direção. Vemos atitudes como empatia e compartilhamento de informações, já que líder não sente sua autoridade ameaçada pelas contribuições dos demais e os times não sentem que sofrerão retaliação do chefe ao expor suas ideias. Essa dinâmica é conhecida como segurança psicológica, fundamental para o sucesso de grupos.

Habilidade ou Diversidade?


Ao selecionar pessoas pensando apenas na habilidade (meritocracia), a chance de você ter pessoas iguais é enorme. Possivelmente estudaram em universidades parecidas, tiveram referências similares e talvez até tenham visões de mundo muito próximas. Ou seja, inteligência coletiva requer habilidade e diversidade.

Diversidade para Inovar


Existem dois tipos de inovação: as incrementais e as disruptivas. As incrementais são melhorias de ideias já existentes e as disruptivas são a troca entre ideias nunca feitas antes. Pesquisas mostram que o que realmente promove mudanças na ciência, na indústria e na tecnologia, são as ideias disruptivas. E isso só acontece quando quebramos silos, juntando ideias completamente diferentes. Quando temos uma grande familiaridade com algum contexto, é difícil que consigamos desconstruir os paradigmas vigentes. nesse caso, precisamos da perspectiva de um forasteiro, que consegue questionar o status quo, com outras experiências e novas respostas.

O poder da rede


Não basta temos olhar de forasteiro se não estamos conectados a uma rede de pessoas. É essa interconexão que possibilita a recombinação de ideias. Joseph Henrich, um teórico da evolução diz: “Se você quer ter uma tecnologia inovadora é melhor ser social do que ser esperto.”

Da padronização para a personalização


Para mantermos as qualidades da diversidade, precisamos tomar cuidado com os riscos da padronização. Acreditar que as pessoas trabalham, aprendem e fazem as coisas das mesmas formas pode matar a diversidade. Esse é o paradigma da produção em massa que precisa ser alterado para o da personalização.

O perigo dos viéses inconscientes


Esse tema tem dominado os debates sobre diversidade e se refere a perdermos grandes talentos e oportunidades de inovação por decisões arbitrários baseadas em raça ou gênero. Desmantelar esses viéses não só ajuda a termos organizações mais inovadoras, mas uma sociedade mais justa.
Diversidade é o ingrediente para resolvermos nosso problemas mais complexos, de mudança de clima à pobreza. Culturas que encorajam novas ideias e usam redes de conexões fortes, podem inovar de forma mais rápida e eficaz, contribuindo para a evolução da nossa sociedade e do nosso planeta
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